O Rio de Janeiro tem impulsionado o setor de inovação e, nos últimos anos, passou a se posicionar como um dos principais polos tecnológicos do Brasil e da América Latina. O movimento faz parte de uma estratégia da prefeitura do Rio para atrair investimentos e fortalecer a economia da cidade conduzida pela Invest.Rio, agência municipal responsável pela promoção e pela atração de empresas. “Existe uma competição global entre as cidades. E você só consegue vencê-la se tiver uma estratégia. A estratégia é explorar o que se tem de melhor. Entendemos que a inovação tecnológica é o grande motor de crescimento do mundo, então esse foi um movimento planejado e essencial para que o Rio tenha protagonismo econômico”, afirma Sidney Levy, presidente da Invest.Rio.

Nos últimos anos, a cidade passou a reunir iniciativas voltadas ao desenvolvimento tecnológico e à formação de talentos, fortalecendo um ecossistema de inovação que envolve universidades, centros de pesquisa e empresas de tecnologia. Entre os exemplos estão o Porto Maravalley, hub de startups e inovação instalado na região portuária, e o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), referência internacional em pesquisa científica. Para Levy, o Rio reúne dois fatores importantes para o avanço desse ecossistema: formação de profissionais qualificados e criatividade. “Temos grandes escolas de engenharia e matemática, e as universidades formam dez mil profissionais da área todo ano. Isso é fundamental para que a cidade se desenvolva. E, nesse mundo de inteligência artificial (IA), vai ser importante a existência de criatividade, que ainda é uma coisa humana. Esse é um atributo que o carioca tem”, avalia ele.

A Invest.Rio atua conectando diferentes atores desse ambiente, criando condições para que empresas se instalem na cidade e gerem oportunidades para profissionais qualificados. “Criamos condições de local, segurança, regulação, acesso e fornecimento de energia. Tudo para que as empresas venham e se estabeleçam aqui. Queremos que elas se sintam bem-vindas ao Rio, que encontrem um ambiente amigável e que isso gere empregos”, afirma Levy.

Infraestrutura digital e inteligência artificial

Um dos projetos que devem impulsionar esse movimento é o Rio AI City, desenvolvido pela prefeitura do Rio e o governo federal, em conjunto com a Elea Data Centers, com o objetivo de posicionar a cidade como capital da tecnologia e da IA. A iniciativa prevê a criação de um polo de infraestrutura digital voltado ao avanço da inteligência artificial e da computação em nuvem no Brasil e na América Latina. As obras devem começar ainda em 2026. “A cidade vai ganhar capacidade de computação. Vai ter muito servidor, CPU e elementos que permitem que a IA seja instalada na cidade. Vai ser a maior obra da América Latina. O Rio vai poder exportar serviço para todo o Brasil e para o continente”, explica Alessandro Lombardi, presidente da Elea Data Centers.

Lombardi destaca que o Rio reúne condições estruturais importantes para receber um empreendimento desse porte, especial mente no que diz respeito à disponibilidade de energia. “O Rio, por ter sido capital, foi colocado no centro da rede de transmissão de energia do país. A energia vem de grandes fontes renováveis e de usinas hidrelétricas”, pontua ele. A estrutura terá capacidade inicial de 1,5 gigawatt (GW) de energia 100% renovável, com potencial de expansão para até 3,2 GW. Para Levy, iniciativas como essa podem colocar o Rio entre as cidades que devem liderar a economia digital nas próximas décadas. “Temos uma tese de que vão existir entre 15 e 20 cidades globais no futuro. São lugares que vão precisar de capacidade de processa mento de dados abundante, energia limpa, facilidade de moradia e qualidade de vida. Duas ou três dessas cidades estarão na América do Sul. Se o Rio conseguir estar entre elas, nossa missão estará cumprida. E a Rio AI City é fundamental nesse processo”, acrescenta Levy.

Centro de testes da BYD

Outro projeto que deve reforçar o posicionamento da cidade como polo de inovação é conduzido pela BYD, referência global na produção de veículos elétricos de nova energia. A empresa pretende criar o primeiro Centro de Testes e Avaliação Automotiva do Brasil e uma nova plataforma de experiências, pesquisa e desenvolvimento no Rio, ao lado do RIOgaleão”, Aeroporto Internacional Tom Jobim.

O objetivo da companhia é processar dados de carros autônomos em laboratório e testar os veículos em condições reais do ambiente brasileiro, em uma pista voltada para provas que ficará ao lado do centro de pesquisas. “A BYD vai trazer muitas pessoas da China para desenvolver aqui no Rio o projeto de carro autônomo. E vai trazer pessoas de toda a América do Sul para visitar a estrutura. E, certamente, vai atrair empresas que vão trabalhar para ela”, celebra o presidente da Invest.Rio.

Levy vê os novos empreendimentos tecnológicos como parte de uma estratégia mais ampla de inovação da cidade. Com a chegada dos projetos da BYD e da Rio AI City, o Rio passa a concentrar polos tecnológicos em diferentes regiões, como Barra da Tijuca, Ilha do Governador e Centro.

Ao mesmo tempo, a cidade investe em iniciativas que fortalecem outros setores da economia e ajudam a criar um ambiente favorável para novos negócios. “O Rio não tem outra alternativa a não ser investir nesse campo. A cidade já é inovadora. A Invest.Rio tem se dedicado a desenvolver o setor do turismo, com a reabertura de hotéis fecha dos, o incentivo a novos voos e conexões para o aeroporto internacional, e também o desenvolvimento do segmento imobiliário, revitalizando o Centro da cidade. Vivemos um bom momento, temos estabili dade política. O movimento agora é atrair empresas para cá”, destaca Levy.